Evidence that Vitamin D Supplementation Could Reduce Risk of Influenza and COVID-19 Infections and Deaths

23 de abril de 2020 às 15:46

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Comentário por Márcia Gowdak, nutricionista da SBH

Algumas pesquisas têm sugerido que níveis séricos baixos de 25-hidroxi-vitamina D (25OH(D)) aumentam o risco de complicações da infecção do trato respiratório que pode ocorrer em doenças como a influenza, a dengue, a pneumonia, entre outras. Vários mecanismos têm sido propostos, entre eles, a ação da vitamina D na redução da concentração de substâncias pró inflamatórias e no aumento das defensinas e catelicidinas, proteínas com ação antimicrobiana.

O estudo de Dancer e cols1 mostrou que a concentração de 25 OH (D) foi inversamente associada com o desenvolvimento da síndrome do desconforto respiratório agudo em pacientes submetidos a esofagectomia. Em metanálise recente2 de 25 estudos com mais de 11.000 participantes, a suplementação de vitamina D reduziu o risco de infecção do trato respiratório agudo, principalmente em indivíduos que apresentavam níveis séricos de 25(OH)D abaixo de 10ng/ml.

O estudo em discussão3 constitui uma revisão de artigos que estudaram a relação entre a concentração de 25 OH (D) e a diminuição de risco da incidência e complicações das infecções virais. Em alguns estudos analisados, a suplementação de vitamina D reduziu o risco de influenza e teve correlação inversa com a síndrome do desconforto respiratório agudo. O artigo discute a pandemia do COVID-19 e a preocupação de contágio dos idosos, grupo populacional que apresenta imunidade comprometida e maior risco de deficiência sérica de vitamina D. Sabe-se que nesta faixa etária ocorre a redução da síntese de calcitriol, o metabólito ativo da vitamina D. Além disso, os idosos tem maior prevalência de doenças crônicas, já associadas com níveis mais baixos de 25OH(D).

Grant e cols. questionam a recomendação atual de concentração sérica de 25OH(D) de 30ng/mL, estabelecida em 2011 pelo Institute of Medicine. Segundo os autores, a referência estabelecida foi baseada em artigos científicos focados na saúde óssea e, por falta de evidências, não levou em consideração outras doenças atualmente associadas com a deficiência da vitamina D. Os investigadores apontam que, apesar dos resultados das pesquisas mostrarem que a proteção aumenta com a elevação dos níveis de 25OH(D), a manutenção mais indicada da concentração sérica parece estar entre 40 – 60ng/mL. Para alcançar esta concentração de forma rápida são necessárias doses diárias iniciais de 10.000 UI por uma a duas semanas e manutenção de 5.000 UI por dois a três meses.

O Institute of Medicine reconhece que apesar de estabelecer o nível máximo de consumo diário de vitamina D em 4.000 UI, não há estudos que mostrem efeitos adversos com o consumo de 10.000 UI/dia.

De fato, o consumo máximo tolerável da vitamina D tem se modificado consideravelmente. Em 2005, a recomendação do nível diário máximo era de 2.000 UI tendo este valor dobrado na última diretriz de 2011. No meio acadêmico, a definição da sua deficiência e suficiência ainda é foco de discussão. A Endocrine Society, importante sociedade internacional que participa da definição de diretrizes do consumo de nutrientes, considera que em determinadas condições clínicas a dosagem de 10.000UI/dia seja necessária para o tratamento de alguns pacientes.

Na conclusão, os autores chamam a atenção para a provável contribuição da suplementação de vitamina D na diminuição de risco e complicações do COVID – 19 e a necessidade de novas investigações que avaliem os níveis séricos adequados, assim como a dosagem de administração.

Importante levarmos em consideração a publicação de grandes estudos epidemiológicos e observacionais2,4 na literatura. Essas publicações ressaltam a importância dos níveis adequados de 25OH(D) em quadros de infecção por sua contribuição direta sobre a imunidade. Temos, no entanto, poucos estudos clínicos randomizados que avaliaram a suplementação de vitamina D nessas condições. A situação atual da pandemia do COVID-19 pode ser a oportunidade que estávamos esperando.

Referência

  1. Dancer RC, Parekh D, Lax S, et al. Vitamin D deficiency contributes directly to the acute respiratory distress syndrome (ARDS). Thorax 2015;70(7):617-24.
  2. . Martineau AR, Jolliffe DA, Hooper RL, et al. Vitamin D supplementation to prevent acute respiratory tract infections: systematic review and meta-analysis of individual participant data. BMJ 2017;356:i6583.
  3. Grant WB, Lahore H, McDonnell SL, et al. Evidence That Vitamin D Supplementation Could Reduce Risk of Influenza and COVID-19 Infections and Deaths. Nutrients 2020;2;12(4)
  4. Garland CF, Kim JJ, Mohr SB, et al. Meta-analysis of all-cause mortality according to serum 25-hydroxyvitamin D. Am J Public Health 2014;104(8):e43-50.